Cliente sempre tem razão, munícipes também

Governos, federal e estadual, prefeituras, entidades de classe, públicas ou particulares, investem muito em capacitação dos profissionais que atuam em todos os setores de atividades. É uma prática que tem se intensificado nos últimos anos, uma prova de que o ser humano passou a ser visto como alguém que move as engrenagens, e não apenas como uma simples peça que pode ser substituída a qualquer momento, por outra igual.

Porém, o que se observa é que essas capacitações, através de cursos ou palestras, são oferecidas em grande volume nas áreas do conhecimento prático de cada profissão e raramente abordam temas que se aparentam simples, mas são tão complexos quanto uma delicada cirurgia médica, reservadas as devidas proporções.

Não pode ser considerado simples o atendimento que um funcionário público presta no balcão de um departamento burocrático ou na emergência de um posto de saúde. Nesses locais, os munícipes comparecem a fim de resolverem seus problemas e o mínimo que esperam é ser bem recebidos.

Mas não é o que acontece em muitos balcões da vida, todos os dias, onde pessoas são maltratadas por gente que se acha no direito de pensar que pode tudo apenas porque tenta se escudar por um concurso público ou pela indicação de alguém que o colocou na vaga de emprego que deveria ser ocupada por alguém mais capacitado, ou, no mínimo, mais educado.

É comum observar pessoas incumbidas de atender gente, de forma nada adequada. Não é preciso se “reganhar”, mas nada justifica o mau-humor, com cara de quem está com raiva do mundo. Nem é preciso sorrir, mas é necessário demonstrar interesse no que as pessoas buscam. Há quem nem o ‘bom dia’ do cumprimento responde, num total exemplo de pouco caso.

Em alguns departamentos públicos, gente que deveria estar pronta para resolver problemas, passa o tempo todo olhando e teclando no celular, como se o assunto fizesse parte do trabalho, quando não passa de bobagens e os famosos “cacacás”, que só interessam aos gazeteiros de plantão.

As empresas particulares também precisam se vacinar contra a praga do funcionário que espanta freguesia. Já não há mais espaço para as famosas perguntas cretinas de alguns vendedores que insistem no “o senhor queria alguma coisa?”.

É preciso investir mais em capacitação pessoal interior, aquela que faz despertar no sujeito até a educação que ele nunca teve. É necessário mostrar que o mundo é feito de pessoa para pessoas e atender bem é fundamental para justificar o salário que cai na conta a cada fim de mês.

 

A lenda é clara:

Regra 01 – O cliente sempre tem razão.

Regra 02 – Se alguma vez o cliente estiver errado, releia a Regra 01.