“De onde menos se espera é que não sai nada”

A frase que se faz título acima é do Barão de Itararé, escrita no jornal A Manhã, do Rio de Janeiro no início do século passado. Esse Barão era o pseudônimo do jornalista gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly.

Pois bem, a frase expressa um paradoxo, que, segundo o dicionário, é uma figura de linguagem que une ideias contraditórias e que não são conciliáveis, pelo menos aparentemente. Geralmente, tem-se uma situação que parece ilógica, sem sentido algum. Assim sendo, pode parecer que “de onde menos se espera é que não sai nada” parece não querer dizer coisa alguma. Mas não é verdade.

O grande exemplo é o Brasil que os brasileiros entregaram ao novo governo. O País vinha de governantes que insistiam em se manter no poder, mesmo desgastados, sem credibilidade, com corruptos e corruptores borbulhando em todos os cantos. Com isso, acabou elegendo o que pensou ser o menos pior. Porém, até os mais apaixonados eleitores do atual presidente sabiam que não poderia se esperar muito, diante de tantas contradições que ele deixava escapar por toda a trajetória de campanha. Havia esperança dentro de desconfiança. Era visível que a história controversa de Bolsonaro assinalava um futuro incerto, um pisar em ovos ou uma corda bamba. Não havia solidez que formasse um horizonte com garantia, era mais um pesadelo do que sonho, daqueles que a gente não consegue entender o que significa, um emaranhado de ideias que, no fundo, era mais dúvida que certeza.

Mas aí é que entra o velho ditado que tenta garantir que é de onde menos se espera que vêm as coisas boas. Tanto não é verdade, que o Barão de Itararé desmentiu há 100 anos: de onde menos se espera é que não sai coisa nenhuma!

As notícias desse governo mais parecem um programa de humor, pois há situações que soam como piadas. Pode ainda ser comparado a um carro desgovernado, ninguém sabe onde vai bater. Uma troca constante de ministros e outros assessores, decretos feitos sem critérios que obedeçam a Constituição, numa prova de amadorismo. Aliás, é essa a definição que mais se enquadra para o atual governo, pois a impressão que passa é a de ser feito por amadores, aprendizes que fazem tentativas, como aquelas alquimias que as crianças fazem ao brincar de “comidinha”, misturando folhas com terra na tentativa de preparar um prato como as mães fazem nas cozinhas.

O lamentável é que a frase do Barão de Itararé nos deixa preocupados com o futuro, porque o contrário seria querer muito de onde se espera o máximo, coisa que, em se tratando do que estamos vendo é impossível.