Educadores paranaenses aderem à Greve Nacional da Educação

Nesta quarta-feira (15), trabalhadores da educação, estudantes e comunidade escolar se organizam para a Greve Nacional da Educação. No Paraná, os Núcleos da APP-Sindicato participarão de atos por todo o estado.
A mobilização no país será um grande protesto contra a proposta de reforma da previdência altamente prejudicial para os mais pobres, para o magistério e trabalhadores rurais; e contra os sucessivos cortes nas políticas educacionais (ensino superior e educação básica) e a ameaça de acabar com a vinculação constitucional que assegura recursos para a educação (Fundeb e outras políticas).
“O anúncio de corte de recursos da educação colocou lenha na fogueira e ajudou a ampliar a adesão das universidades e instituições federais, com suas entidades nacionais chamando para a deliberação das Assembleias das associações de docentes e movimento estudantil”, destaca o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Heleno Araújo.
A pauta de reivindicações também inclui o fim do patrulhamento ideológico nas universidades, da Lei da Mordaça e de uma série de políticas que impõem retrocessos no desenvolvimento da educação pública e privada.
CORTES NA EDUCAÇÃO – após cortar cerca de 30% dos investimentos para o ensino superior e técnico do país e bloquear ao menos R$2,4 bilhões destinados ao ensino básico, as bolsas para alunos de mestrado e doutorado foram suspensas. Sofrendo ainda com a falta de correções dos orçamentos pela inflação, as universidades temem não prosseguir com as atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Com a decisão, alunos que já haviam conseguido a bolsa para este ano ficarão sem poder usufruir do benefício. Além das bolsas, o programa Idioma Sem Fronteiras foi congelado, o que irá reduzir a concessão de bolsas para cursos que mantiveram nota 3, conceito mínimo de permanência no sistema de pós-graduação da Capes no período de dez anos. Há 211 programas nessa situação.
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o corte chega a R$ 48 milhões e impactará no funcionamento da instituição, atingindo principalmente as despesas ordinárias como o consumo de água, energia, contratos de prestação de serviços, restaurantes universitários e manutenção do campus. Em nota, a reitoria destacou que com os cortes, a universidade se manterá por apenas 3 meses.
REFORMA DA PREVIDÊNCIA – atualmente, para se aposentar por idade, homens devem trabalhar até os 65 anos e mulheres até os 60, com no mínimo 15 anos de contribuição. Se a proposta do governo Bolsonaro for aprovada, ficará determinada a idade mínima de contribuição de 65 anos para homens e 62 anos para as mulheres, além de pelo menos 20 anos de contribuição.
Além do aumento de tempo para contribuição das mulheres (as mais afetadas pela reforma), o trabalhador deverá contribuir por 40 anos para conseguir o benefício integral. Com o agravamento do desemprego no país, a população pode não alcançar a tão sonhada aposentadoria na íntegra.
Levando em consideração que a média de tempo que um trabalhador (a) passa empregado (a) reduziu para nove meses, para comprovar 40 anos de contribuição, o (a) trabalhador (a) deverá alcançar 58 anos de trabalho ininterrupto.
REFORMA PARA PROFESSORES – já para os trabalhadores da educação, a PEC 6/2019 pretende fixar em 60 anos a idade mínima para professores da rede pública e privada se aposentarem. A reforma também pretende unificar em 30 anos o tempo mínimo de contribuição para ambos os sexos. Se a reforma da previdência for aprovada no Congresso Nacional, os professores serão uma das categorias mais penalizadas.
Mesmo trabalhando durante 30 anos, os professores receberiam apenas 80% do salário-benefício. Para receber o valor integral do benefício (100%), eles teriam de contribuir por 40 anos.
ATOS POR TODO PAÍS – universidades de todo país decidiram aderir à greve, engrossando ainda mais o grito por uma educação de qualidade. Todos os estados do Brasil já agendaram atos, com início a partir das 8h. No Paraná, todas as cidades executaram atividades, sejam nas ruas ou nas escolas.
Confira alguns núcleos da região:
ASSIS CHATEAUBRIAND – Será montada uma tenda na Praça dos Pioneiros, onde será realizada a coleta de assinaturas contra a reforma da previdência e orientações sobre os cortes na educação.
CAMPO MOURÃO – haverá paralisação e Ato contra os cortes na educação e contra a reforma da previdência, na Praça Municipal, às 17h.
CASCAVEL – Será realizado um Ato Público contra os cortes na educação a reforma da previdência, na Catedral Nossa Senhora Aparecida, com início às 9h.
TOLEDO – Será realizada uma paralisação da rede municipal e um Ato Público contra os cortes na educação e a reforma da previdência. A concentração será realizada na Praça Willy Barth.
UMUARAMA – Será realizado Ato Público contra os cortes na educação e a reforma da previdência. A concentração será realizada na Praça Santos Dumont, a partir das 8h.