Nem tudo vale o quanto pesa

A prática da especulação imobiliária no espaço da cidade é muito comum de duas principais formas: a espera pela valorização ou a realização de investimentos que estimulem essa valorização. O que se observa é que, com a criação de novos bairros, incluindo casas populares, a oferta é maior que a procura em determinadas regiões.

Por outro lado, há uma valorização dos imóveis muito maior do que se via há alguns anos. Muitos creditam esse aumento nos preços por causa da expectativa da vinda da Frimesa, em Assis Chateaubriand. A maioria das propriedades urbanas foram majoradas em até 150% por cento, em alguns casos.

Há quem garanta que esse fator de aumento de imóveis sem uma razão concreta no presente é especulação. Peritos no assunto explicam que a prática da especulação imobiliária no espaço da cidade é muito comum de duas principais formas: a espera pela valorização ou a realização de investimentos que estimulem essa valorização. Os dois casos estão presentes na realidade, hoje. Em ambas as condições há efeitos colaterais, como, a demora em vender e o arrependimento de quem compra, caso as expectativas de lucros em cima do que foi comprado não atender aos objetivos. É o efeito bolha, que é quando o esperado infla e explode antes de qualquer efeito positivo.

O que justifica uma supervalorização de imóveis é uma grande oferta de emprego, que não é superada nem quando se acha ouro na cidade, porque o garimpo é passageiro, onde as cidades se acabam com o fim do metal, enquanto empregos garantidos são permanentes, como no caso da chegada de indústrias. Sem garantia de lastro, que no caso é a fonte de renda, como emprego ou qualquer outro meio que produza dinheiro, não há justificativa para elevação de preço de solo e o que está sobre ele. Não se pode simplesmente passar de “10” para “20” apenas porque alguém disse que vale mais, na simples expectativa de melhoras.

Sair de um preço baixo para um preço alto é simples e não dói, basta pedir, paga quem quer. O grande problema é que, quando as expectativas não se consolidam no tempo esperado, o caminho inverso precisa ser feito. É quando se obriga a sair de um preço alto para oferecer bem lá em baixo, no tipo bacia das almas. Aí dói demais.

Porém, o mercado é assim mesmo, dança conforme a música. Quem pode esperar dá o preço que quer, deita e aguarda, mas quem precisa vender tem que dançar no ritmo de quem dita as regras. E, quem dita normas é quem tem dinheiro, na base do “é pegar ou largar”, a fila anda e sempre tem quem quer, além de que, nem tudo vale o quanto pesa.