Um certo de tamanho justo

As linhas de hoje nada mais são do que batidas em teclas repetidas, assim como o assunto que as trazem de volta. Falamos de conforto aos que se colocam a serviço do povo.
Pois bem, boa parte das câmaras de vereadores possui um carro à disposição de cada vereador. Na maioria dessas casas de leis os veículos são alugados. A justificativa é de que os carros são usados para levar os edis aos cidadãos, a fim de ouvir suas reivindicações. Há quem seja contra essa representatividade motorizada com dinheiro público, porém, é preciso entender que esse transporte é justificado na medida em que o edil utiliza o carro da câmara para servir o município e, não seria justo, que os custos saíssem de seu próprio bolso. O salário que ele recebe é referente à representatividade e não aos custos que ela imprime. É como um agente de saúde que não usa o carro próprio para visitar as comunidades. Há viaturas para isso.
Há, porém, uma observação necessária: veículos públicos à disposição de visitas de vereadores só se justificam em grandes populações. Nos pequenos municípios, gastar com uma frota para atender a vereança é um abuso, uma vez que a maioria dos representantes na câmara convive dentro de suas representatividades. Mas, é sabido que todos os legislativos municipais possuem um carro à disposição da presidência, que também serve aos demais vereadores em caso de transporte para outras cidades, ou distritos mais distantes.
É justo que haja um transporte oficial na casa de leis, mas também não há a necessidade de ser o mais caro. O conforto é uma precisão, mas a luxúria não combina com a responsabilidade de quem cuida dos interesses do povo.
Já que falamos de condições de trabalho, todas as câmaras municipais deveriam se preocupar em oferecer atendimentos mais dignos à população, colocando à disposição dos vereadores um gabinete a cada um. Há casas em que os edis se revezam em uma ou duas salinhas apertadas, disputando linhas telefônicas sempre ocupadas e cadeiras caindo aos pedaços. Sem contar que muitas dessas câmaras funcionam em prédios alugados pela prefeitura.
Quando chega o fim do ano, a presidência devolve dinheiro para o município para bater no peito com a infame e hipócrita afirmação de que fez economia, mais para fazer politicagem ou puxar o saco do prefeito do que para que seja investido em obras pelo executivo. Fala-se em economia, mas o que se economiza são serviços melhores, a partir do momento que deixam de investir em conforto que deveria ser estendido ao munícipe, verdadeiro dono do dinheiro “economizado”.
A tal da devolução demagoga significa a renúncia de muitas utilidades, como a aquisição de novos computadores, contratação de mais gente capacitada para informar o munícipe, investimentos em internet, como transmissão ao vivo das sessões, água de qualidade gelada para quem frequenta o Legislativo e um mundo melhor que não acontece em nome da hipócrita devolução daquilo que foi repassado para fazer o que a incompetência não consegue por falta de ideias melhores.