A DROGA É UM MONSTRO DE MÚLTIPLAS FACES

A todo instante somos surpreendidos com noticiários, publicando um novo recorde na apreensão de drogas. Apesar do esforço das autoridades, novas rotas de traficantes de drogas são traçadas. O consumo de tóxicos cresce em todo o mundo numa progressão alarmante.

Quais são as causas? O que faz com que muitos enveredem pelo caminho dos tóxicos? Rebeldia, fuga e curiosidade são algumas razões pelas quais muitos, especialmente jovens, caem na armadilha das drogas. Rebeldia contra pais e toda espécie de autoridade. Fuga das tensões e pressões do dia-a-dia, antevendo derrotas. Curiosidade ou aventura em preencher o vazio de uma vida sem objetivos.

Não há apenas uma razão única, nem tampouco se pode responder essa pergunta superficialmente. O problema do tráfico e consumo de drogas é o resultado de um complexo fenômeno de fatores sociais, econômicos, políticos, psicológicos, existenciais e espirituais. Os diferentes elementos que intervêm neste fenômeno são: as pessoas e indústrias ilícitas multinacionais, envolvidas com o cultivo, processamento e organização do tráfico, distribuição e venda das drogas; alguns poderes econômicos multinacionais que manejam enormes recursos; a corrupção em todos os níveis da sociedade; e, finalmente, os consumidores. É um nó de fatores entrelaçados, que requer uma persistente e decidida luta multidisciplinar, dedicada a buscar soluções concretas e efetivas. Esta complicada trama nos tem demonstrado que:

Se trata de um problema mundial, motivo de grande preocupação nos altos níveis governamentais, assim como na Organização das Nações Unidas (ONU) e em muitos outros organismos internacionais. Por que existe esse problema?

É um problema nacional, que atenta contra a segurança e a estabilidade econômica e social do país.

É um problema político, porque a falta de reformas sociais, o não-cumprimento das leis, ou a corrupção administrativa, facilitam as redes ilícitas do tráfico, da distribuição e da venda de drogas.

É um problema social, porque existem condições socioeconômicas e culturais na sociedade que ajudam a criar um ambiente fértil para o tráfico e o consumo. Os consumidores, mesmo que não sejam os culpados dos problemas sociais, ajudam a agravar ainda mais os problemas já existentes.

É um problema comunitário, porque as vidas dos membros de uma comunidade, as suas lutas e os seus dissabores passam a ter validade coletiva. Já não é somente o indivíduo que sofre, mas todos sofrem com ele. Assim mesmo, a comunidade também sofre quando existe um individualismo egoísta.

É um problema humano, porque o tráfico e consumo de drogas é uma atividade ilícita que se tem infiltrado em todos os níveis da sociedade, desencadeando uma corrupção silenciosa. Isto traz como consequência um número alarmante de problemas, como a insegurança pessoal devido a falta de confiança nas instituições judiciais e policiais, entre outros.

É um problema moral, porque quem faz o tráfico, e quem distribui e vende drogas, viola os direitos dos demais. E quem as consome, pouco a pouco se vê preso numa armadilha que o impede de viver em harmonia com os seus semelhantes.

Dissemos que o problema das drogas é “um problema de todos”. Na realidade não é tão simples:

Sim, “é de todos”, porque nos afeta a todos, e é motivo de angústia e temor. E, porque todos somos membros de uma comunidade, devemos colaborar no que podemos e no que nos compete, para prevenir o consumo e o tráfico de drogas. Mas, não “é um problema de todos”, porque há os que, movidos pela cobiça, pela corrupção, pelo poder e pela maldade, promovem o tráfico de drogas e se beneficiam com ele. Neste sentido não somos culpáveis, assim como não é nossa culpa que haja uma crise econômica, ou que nós, como indivíduos, tenhamos que resolvê-la.

O importante na discussão do problema é assinalar as responsabilidades de prevenção e quem as deve assumir. Se, como indivíduos’ ou famílias, podemos contribuir na luta contra as drogas, então devemos fazer o que estiver ao nosso alcance, para que possamos seguir vivendo em comunidade e alcançar as nossas metas. Mas existem problemas nesta vida que não podemos mudar nem como indivíduos e nem como famílias, mesmo que fizéssemos tudo para conseguir superá-lo. Algumas pessoas ameaçam o futuro de nossos filhos e das gerações vindouras, perguntando: Poderá, por acaso, o feito de fazer desaparecer os traficantes garantir que desapareçam também os consumidores?

Não há dúvida que a análise deste problema nos conduz a desejar que os nossos governantes assumam com justiça e retidão a importante tarefa de defender-nos contra o tráfico de drogas.

No fundo, o problema do consumo de drogas reflete a existência de um desajuste de valores na vida do indivíduo, como também da sociedade. Estamos vivendo tempos conturbados, dominados por uma sociedade materialista e consumista, onde imperam os valores” da beleza, do sexo e da juventude, e o desprezo a tudo mais; onde existe a luta por êxito e poder a qualquer preço; onde vemos uma crescente corrupção nos poderes políticos e econômicos; onde existe uma dissipação galopante dos recursos naturais e humanos; onde os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres; onde a alienação é exaltada e a corrosão dos valores morais declina a sociedade.