Brasileiro continua bonzinho

A Justiça Eleitoral está feliz da vida, porque a Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou aos números de 90 milhões de cidadãos que compareceram aos cartórios eleitorais para realizar a biometria, o chamado recadastramento do título de eleitor. Isso significa mais de 15% na estipulada.
Até parece que o brasileiro gosta de votar. Mas não é nada disso. Neste país, as coisas só funcionam no tratamento de choque. Basta dizer que o sujeito vai perder direitos e dinheiro que ele se vira para qualquer coisa. E não foi diferente com a biometria do título eleitoral. A ameaça de cancelar o título e o CPF bastou para fazer filas nos cartórios.
E isso para um documento que só serve para votar. Ninguém pede para alguém se identificar com um título eleitoral, nem vale para fazer crédito de compra. Mas é a garantia de que o cidadão tem a obrigação de votar nas eleições que elegem pessoas quem nem sempre cumprem o que prometem.
Não dá para entender que uma nação queira ser democrática, dar liberdade a seu povo, mas o obriga a escolher o menos pior de uma lista. É o que se tem visto, onde deveria haver uma farta oferta de melhores, tem-se, sim, opções obscuras, que mais decepcionam do que nos mantém esperanças.
Porém, como fazer com um povo que não vai na reunião do próprio bairro? Se não cuida do próprio quintal, jamais iria votar em eleições se não existisse a “bendita” obrigação e o medo de pagar multa, mesmo que seja uma merreca de R$ 3.
Pois bem, até o início deste mês de maio, cerca de 91,6 milhões de pessoas foram recadastradas biometricamente em todo o país, o que corresponde a mais de 61,9% do total dos eleitores. É mais do que os TREs esperavam. Podem comemorar, o brasileiro continua bonzinho e obediente.