COMO SER PROFESSOR OU EDUCADOR NUMA SOCIEDADE LÍQUIDA?

15 de outubro, Dia do professor. Seria mais exato e mais proveitoso chamá-lo de Dia do Educador. Se é verdade, como afirma Paulo Freire, que “ninguém educa ninguém”, ele acrescenta em seguida: “Ninguém se educa sozinho”. Aqui está a missão do educador: caminhar ao lado do educando. Não caminha pretensiosamente na frente, porque por onde cada um passa ninguém passou; nem caminha atrás, pois seria pura covardia: os educandos não querem mestres, eles querem testemunhas (Paulo VI). E, para ser testemunhas, é preciso caminhar lado a lado.

Este Dia do Educador é um momento oportuno para refletir sobre a posição que assumimos diante do educando: ficamos na retaguarda? Vamos sozinhos na frente? Caminhamos lado a lado? Somos simplesmente professores? Somos mestres? Somos amigos e testemunhas? Como ser educador – professor numa sociedade em que tudo está dissolvendo?

Segundo Zygmunt Bauman, “VIVEMOS NUMA MODERNIDADE LÍQUIDA”, e nesses tempos nada mais é estável nem suscita confiança ou segurança. Os amores são fugazes e perecíveis, os valores éticos e educacionais escorrem entre os dedos de pais desnorteados e/ou professores humilhantemente desvalorizados. A fé virou quase um objetivo financeiro a ser conquistado por instituições que usam e abusam de efeitos midiáticos para seduzir e incorporar mais fiéis. Os políticos conseguiram criar uma onda de repulsa e desprezo entre os eleitores. Nesse contexto, é natural que muitas vezes nos falte o chão diante de diversos momentos da vida em que somos tomados pela desesperança, pelo desânimo, pela apatia e pelo medo do futuro.

Para o estado em seus vários níveis, municipal, estadual, federal, é interessante que o povo permaneça burro, que seja massa de manobra, que acredite cegamente na televisão, que se submeta a qualquer sacrifício para ganhar seu pão, que não desenvolva espírito crítico, que seja como uma barata.

Dizem que escola pública não tem bom nível. Às vezes a gente se sente meio relaxado, por não pôr os filhos numa escola particular. Afinal, onde se paga o olho da cara, o ensino deve ser melhor! Entretanto, aqui educação parece ser uma mercadoria; professores(as) se transformam em comerciantes.

Esta parada também tem por objetivo unir nossas forças, estimular-nos mutuamente. Visa conscientizar-nos de que, se há muito por fazer, também temos motivos para elevar nossos corações em ação de graças pelo muito que fizemos e somos. Enfim, conscientizar-nos da responsabilidade de termos um poder na mão. O que faremos com esse poder?

O educador se conhece não pelas respostas que dá, mas pelas perguntas que faz. Ê fácil ser professor. Transmitir ideias, conhecimentos, fazer assimilar conteúdos pré-fabricados … É uma questão pedagógica, didática, psicológica. O educador trabalha com valores, ou melhor, com pessoas.

Olha a pessoa como um todo. Não joga algo de fora para dentro, não transmite: o que ele faz é olhar para dentro, desenvolver de dentro para fora, colocar condições para que a semente germine, cresça, frutifique e amadureça.

Você, sua comunidade, junto com as professoras(es) construirão uma sociedade verdadeiramente diferente, que não permita que o estado desvie o dinheiro dos impostos para coisas menos importantes. Essa luta faz parte da educação. Não a deixe só para as professoras.

Ensino, educação, é algo sagrado. É tarefa dada por Deus aos pais, é sacerdócio especial conferido a professores (as), que para perseverar em seu ministério precisam do empenho da comunidade.

 

Filósofo e Teólogo – Professor de Filosofia, Antropologia e História;

Professor aposentado da UNIPAR/UNIVEL e CTESOP;

Professor da Rede Estadual de Educação – Colégio Chateaubriandense.

pardinhorama@gmail.com