Continuar ou mudar, eis a questão

Clóvis de Almeida

 

O tema reeleição sempre dá um leque muito grande de motivos para ser contra ou a favor, uma vez que cada opinião nem sempre está embasada na razão, mas na subjetividade dos interesses pessoais, por menores que sejam. Há os que querem a continuidade de quem está no poder, simplesmente concordando com o que tem sido feito ou tendo como motivos o fato de não perder benefícios, ou pelo medo de ver o barco em outras mãos. Por outro lado, há os contra, com o pensamento mais comum de que reeleição não deveria existir, até o mais forte argumento de que há outra pessoa melhor para o cargo, passando pelas defesas da necessidade de mudanças ou o simples não gostar de alguém, por motivos políticos, pessoais ou da turma do contra qualquer coisa. Enfim, como em tudo, há os contra e os a favor, coisa normal em qualquer sociedade que tenha eleições, diretas ou indiretas.

De acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 2016, 2.945 prefeitos se candidataram e 1.385 conseguiram se reeleger, um índice de 47%. Podemos dizer que metade se reelegeu e a outra metade não. Como no caso do copo com água pela metade estar quase cheio, ou quase vazio, ser uma questão subjetiva, dependendo da opinião de quem vê, é possível dizer que quase a metade dos prefeitos se reelegeu em 2016, porém alguém pode dar mais ênfase na frase que afirma que “metade não se reelegeu”.

Independente, de como se interpreta o resultado, o fato é que quase três mil municípios se mostraram satisfeitos com seus prefeitos, dando a eles um novo mandato.

As razões de uma reeleição são óbvias, ou seja, um trabalho que convence o eleitor, da mesma forma que a não reeleição significa que o prefeito deixou a desejar.

Essa conclusão simples nos dá conta de que é mais fácil julgar alguém que já tem um trabalho a mostrar, do que quem entra apenas com a promessa de mudanças ou com exemplos de outras formas de gerenciamento. E é aqui que mora o diferencial, pois o eleitor de hoje não tem mais paciência para acreditar que tudo pode ser mudado de uma hora para outra ou que existem fórmulas mágicas ou milagres para gerar emprego, produzir indústria do nada ou convencer os governadores a chover dinheiro na cidade. O bom senso fala mais alto na hora de pesar evidências e o óbvio salta aos olhos, no mais velho ditado que existe: é melhor um pássaro na mão do que dois voando.

Portanto, reeleger ou não é só uma questão óbvia: se está bem, não há porque mudar. Se vai mal, não tem que pensar duas vezes, sendo o mais correto apostar na substituição.

O que não se pode é correr riscos só porque alguém disse que a comida do vizinho é melhor. Prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Resumindo: não há muito o que pensar nem discutir. Equipe que está perdendo precisa de novos craques e um técnico novo, porém, se o time estiver ganhando não se mexe, como diz o gaúcho, nem que caia as calças.