CRISE E DESESPERO HUMANO E A RESPOSTA DA CIÊNCIA

Escrevo este artigo para conversar um pouco sobre a importância da ciência como uma alternativa para debater temas importantes da atualidade. O problema que podemos levantar é que tipos de valores orientam a ciência?

É muito comum considerarmos que vivemos, hoje, em uma sociedade democrática e que a filosofia, a ciência e a arte estão muito desenvolvidas. Entretanto, é comum encontrarmos conflitos entre alguma das formas de potência do pensamento e a mitologia, a religião ou o senso comum, o que prova que essas três formas de pensamento ainda vigoram entre nós. Como identificar esses conflitos no mundo atual? “A ciência por si só é neutra, quem a torna não neutra é o homem, quando a utiliza para o bem ou para o mal.” Herbert Alexandre Galdino Pereira.

Lamento que as pessoas curiosas e interrogadoras tenham se preocupado mais com os pensamentos dos esoterismos, misticismos, espiritualismos e outros “ismos”, e que não haja ninguém que lhes diga: “Ei, você quer entender seu problema? Tente a ciência. Este é o desafio que pretendo fazer como proposta. É possível encontrar respostas para os problemas tentando usar as reflexões coordenadas pela ciência?

Francis Bacon (1561-1626), com o seu lema “saber é poder“, critica a base metafísica da física grega e medieval e realça o papel histórico da ciência e do saber instrumental, capaz de dominar a natureza. Rejeita as concepções tradicionais de pensadores “sempre prontos para tagarelar”, mas que “são incapazes de gerar, pois a sua sabedoria é farta de palavras, mas estéril em obras”. É essa a sugestão que quero lhe fazer. Perceber o lado prático da ciência e eficaz da ciência. Podemos citar por exemplo, com o desenvolvimento das ciências e da industrialização, exacerbou-se o processo de exploração dos recursos naturais. Aos benefícios do progresso acelerado contrapôs-se uma realidade sombria: os efeitos de uma lenta, mas progressiva destruição da natureza.

Os sinais mais evidentes alarmaram os cientistas e estimularam as discussões sobre ecologia e eco ética, estudos que se concretizaram na década. Quero deixar claro de que não se trata de ser contra nada. Esta é uma reflexão que se apoia numa maneira de ver o mundo e de nos vermos no mundo: a maneira da ciência. Trata-se de uma afirmação do entendimento que o processo científico dá, uma alternativa ao “alternativo”.

Também não estou dizendo que a ciência tenha a resposta para todas as perguntas. Estou lamentando que ela não seja apresentada, pelo menos, como uma possibilidade para matar nossa fome de entendimento de saber o saber. Para o filósofo espanhol Fernando Savater, é necessário fazer uma distinção entre três formas de saber: informação, conhecimento e sabedoria. Enquanto a ciência produz funções, a arte produz sensações e a filosofia produz conceitos, as três potências do pensamento se complementam na invenção de novas formas de ver o mundo e a vida.

Quero partir do princípio de que a ciência é uma forma excelente para isso, o que é ótimo, pois entender é a base para a realização pessoal (incluindo o entendimento de nós mesmos). Como outrora escreveu São Paulo na primeira carta de Coríntios 11:28-34” Examine-se, pois, o homem a si mesmo. Como diz o aforismo grego “conhece-te a ti mesmo” é a definição mais simples do autoconhecimento. Eu acredito que quanto mais me conheço, mais tenho mais tenho a capacidade de me curar e de me potencializar. Uma narrativa científica pode ter o mesmo efeito de um bom filme ou romance, ou de uma obra de arte: inspira, ilumina, emociona, instiga. É só isso, mas isso é muito.

Geralmente o senso comum percebe a ciência como algo intransponível e distante dos comuns dos mortais. Pensam que falar de ciência é assunto para extraterrestre. Está na hora dos cientistas saírem de suas academias e virem ao encontro das pessoas que legitimamente querem entender mas que, ao procurar, só encontram “esoterismos”; É hora deles aprenderem a falar para a pessoa comum – educada e sensível que quer ir além, mas que, ao olhar em redor, só se depara com antiquíssimas mesmices pré-medievais sobre o além. Pessoas que querem mais, mas só encontram as’ “vidas passadas de sempre, as cabalas de ontem, os requentados ETs de anteontem.

Confesso que parece escandaloso que os “saberes” da ciência fiquem confinados à academia e escolas. A ciência fala exatamente sobre o confronto da mente humana com o mundo lá fora, e sua luta para entender. Por que então o cientista deixou o bruxo roubar a cena? O que tem de bruxos usando fantasias, mitos e lendas para o explicar o mundo, enquanto que a ciência fica restrita a poucos e para poucos.

Compreendemos e defendemos que a ciência não é para ser vista como uma coisa para poucos, para raros ou para iluminados. É uma pena que grande parte das pessoas educadas ainda se orgulhe de dizer “não entendo nada de ciência, graças a Deus”.

Aceder à ciência é rejuvenescer espiritualmente, é aceitar uma brusca mutação que contradiz o passado. A ciência, tanto por sua necessidade de coroamento como por princípio, opõe-se absolutamente à opinião.

É um equívoco. Em pleno século XXI ninguém poder ser considerado sequer informado se excluir a ciência de seu repertório de interesses. Ela está nos revelando coisas assombrosas sobre nós mesmos. Você não pode deixar de saber o quê. Romper com a mentalidade medieval e avançar em direção a luz do século XXI.

Creio sim que o processo da ciência tem algumas grandes respostas, mas, muito melhor do que isso, tem perguntas sempre novas. Tem estímulos ao ato de pensar que podem abrir as portas de um mundo novo para mim e para você.

O único objetivo deste artigo foi fazê-lo refletir a partir de alguns temas que o processo da ciência coloca sobre a mesa.

O meu papel aqui é chamar a atenção para o fato de que ciência pode e deve estar ao alcance de todos e todas. Não sou um produtor de ciência. Sou alguém que observa, valorizo e advogo sobre o valor na ciência para desmistificar o que está em forma de mistério diante da nossa mente.

 

 

Filósofo e Teólogo – Professor de Filosofia, Antropologia e História;

Professor aposentado da UNIPAR/UNIVEL e CTESOP;

Professor da Rede Estadual de Educação – Colégio Chateaubriandense.

pardinhorama@gmail.com