Desperdício

O mundo é divido em micro, mini, médio e macro, medidas para medir as picuinhas e as grandes coisas. Algumas pessoas podem ser medidas com a mesma régua. São aquelas que pensam pensar grande, mas, no fundo agem com falta de inteligência ao se incomodarem mais com a vida dos outros do que com a própria existência.
A curiosidade e o deleite com os problemas alheios não são hábitos apenas nas pequenas cidades, mas também em grupos sociais, nos bairros, empresas, associações e comunidades variadas. São trejeitos que nascem no berço, crescem e se estendem pela vida daqueles que a educação é apenas um traço trivial, onde a “finesse” não passou nem de perto, em momento algum.
Não se trata de algo que o dinheiro compra, mas do que vem desde o embalo do colo sagrado, onde o respirar educado é transferido por “osmose” com efeitos para o resto da vida. Isso sim deveria causar inveja.
A preocupação com a vida alheia nunca andou tão em evidência como agora, com as redes sociais se apoderando dos telefones celulares. O que mais se vê são as fofocas banais sobre vidas abreviadas, que só deveriam interessar aos protagonistas. Mas, esperar o quê de quem não tem nada de relevante a dizer particularmente, muito menos em um ambiente virtual, onde a propagação, nem de longe é levada em consideração? Sendo assim, o “melhor” mesmo é fofocar.
Ocorre que o ser humano tem necessidade de se comunicar, desde o momento em que vem ao mundo. Nasce chorando, vive reclamando e morre gritando. Nesse meio tempo, faz de tudo para não estar só e se comunica com as ferramentas de seu tempo, que estão ao seu alcance.
Nos anos 80 surgiu a febre dos rádios PX – aparelhos transmissores/receptores utilizados em caminhões -, que ganharam espaço em carros, empresas e residências, onde as pessoas passavam horas falando qualquer bobagem sem compromisso e chamando todo mundo de macanudo, aos berros de “breico, breico!”.
A internet veio como um prato cheio para as conversas desnecessárias, onde perder tempo é só um detalhe no prazer do fuxico, sepultando de vez as conversas de esquina e por cima das cercas. Coitada da Candinha, teve que se adaptar ao mundo virtual!
Apesar de tudo, o que nos acalenta e nos motiva é crer que as novas gerações estarão mais preparadas para lidar com os novos meios de comunicação. Afinal, não é tão difícil deduzir que a vida é curta, pode ser incrivelmente interessante e não merece ser desperdiçada.