Dia Nacional da Saúde num país que vive doente

O dia em que se homenageia a saúde no Brasil, 05 de agosto, tem muito a comemorar, mas falta muito ainda para chegar perto da eficiência

Por Clóvis de Almeida

Data no calendário para homenagear a saúde é o que não falta. Tem o dia mundial, dia americano, panamericano, europeu, e o Dia Nacional. São vários os meses com uma data dedicada a esse setor que cuida do bem estar da população. São justas homenagens, mas melhor seria se houvesse mais investimento por parte dos governos.

Exemplo foi a grande quantidade que se gastou para construir monumentais estádios para a Copa do Mundo em 2014, enquanto milhares de pessoas gritavam de dor na espera de atendimento médico em corredores de hospitais abarrotados, sem ambulatórios, médicos, enfermeiros e leitos suficientes.

O resultado dos descasos por anos seguidos se refletiu na pandemia desse ano, quando o país se viu diante do caos com o número gigante de doentes necessitando de internamentos e, pior, de unidades especiais, as chamadas UTIs, quase um luxo de poucas cidades.

Porém, falar das mazelas no serviço público de saúde do Brasil é malhar em ferro frio, diante de tudo o que já foi falado. Nem o governo parece saber qual o caminho a tomar. Basta lembrar a dança de ministros que houve esse ano e a bagunça que virou o Ministério da Saúde, num entra e sai de chefes, que não se entendiam com o Presidente da República. Este, por sua vez, insistindo em ir contra todos e tudo o que preconiza os ditames da Saúde mundial, inclusive seus próprios ministros. Mas, isso todo mundo já está careca de saber.

A verdade é que o Brasil continua doente, desde há muito tempo. O consolo é que já foi pior.

Já vivemos o tempo do Jeca, quando as crianças andavam descalças, sujeitas a tudo o que era doença. Hoje, já não se vê mais crianças barrigudas e cheias de vermes, como nos tempos do escritor Monteiro Lobato e sua criação na obra Urupês, o Jeca Tatu, que simbolizava a situação do caipira brasileiro, abandonado pelos poderes públicos às doenças, ao atraso econômico, educacional e à indigência política.

As crianças já não morrem mais por males que matavam em massa e a média de vida subiu muito, graças às descobertas da saúde, com coisas que hoje são simples, mas que no passado ninguém prestava atenção ou pensava ser bobagem, como, por exemplo, lavar as mãos depois de ir ao banheiro, escovar os dentes (já fomos um pais de banguelas), tomar banho e trocar de roupa todos os dias.

É preciso destacar a instalação de privadas na maioria das casas e os sistemas esgotos em muitas cidades.

Não precisa lembrar que em muitos lugares essa “simplicidade” ainda não existe e milhares de cidadãos ainda vivem como há 100 anos. E a culpa não é deles, mas de quem deveria cuidar do sistema como é preciso.

A saúde em casa

Quando se fala em sistema de saúde, precisamos lembrar que Assis Chateaubriand já possuiu uma rede hospitalar com muito mais unidades hospitalares, até porque o número de habitantes também era maior. Salvo engano, eram 8 ou 9 hospitais, que foram fechando, diante da diminuição do número de habitantes, crises regionais ou nacionais, sucessivas e outros motivos.

Mas não se pode dizer que o serviço de saúde piorou, pelo contrário. Hoje, Assis Chateaubriand deve se orgulhar de ter uma unidade de terapia intensiva, a tão sonhada UTI que muita gente não imaginava que um dia teríamos.

O lado bom

Assim sendo, entre as mazelas e as conquistas, é possível dizer que o país está andando contra os males que atingem a saúde das pessoas. Graças aos esforços dos profissionais de saúde que levam a sério suas missões. Por isso, a nossa homenagem através dessa matéria.

A Saúde no mundo

Não resta a menor dúvida de o que mundo avançou muito em tudo o que diz respeito com os cuidados, prevenções e tratamentos que a ciência conseguiu nos últimos 100 anos em prol da saúde da população mundial. É evidente que ainda falta muito para se chegar ao nível que esperava e que chegou a anunciar a própria ciência, por várias vezes, ao longo do último século. É o que se observa através da literatura especializada e das publicações da imprensa, que acompanhou tudo, torcendo para que cada anúncio fosse verdade e acontecesse o mais breve possível.

As promessas

Dentre as esperanças de cura, estavam o Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson, AIDS e o Câncer, que, apesar de tratamentos que mantém a vida do doente, até agora não há cura definitiva. O mesmo vale para todas as formas de gripe, malária, zika, chikungunya, dengue e dezenas de outros males provocados por vírus que se transmitem de várias formas, inclusive por mosquito. Nenhuma ainda possui uma prevenção definitiva, embora para algumas dessas doenças já uma providência temporária com vacinas descobertas recentes ou há décadas.

É preciso entender que vírus ficam escondidos em hospedeiros por anos e até séculos, por isso os ressurgimentos de doenças depois de aparentemente terem sido erradicados, oficialmente, como já ocorreu no Brasil com a Poliomielite e o sarampo. Volta e meia tem um caso, nos últimos anos.

É sabido dos grandes esforços da medicina para chegar a uma cura definitiva dos grandes males. Cientistas renomados acordam e vão dormir pensando no que fazer para criar remédios e vacinas. Mas, muitas doenças continuam sem um antídoto que as façam sumir do mapa.

A Creutzfeldt-Jakob é uma dessas doenças. Um mal degenerativo raro e fatal provocado pela transmissão de uma proteína chamada príon. Ela afeta o sistema nervoso central e provoca tremores, perda de memória, convulsões, paralisia facial, dando a impressão de que o doente está sempre sorrindo

Para o lúpus também não a cura. Lúpus eritematoso é uma doença autoimune que provoca a inflamação de várias partes do corpo e afeta a pele, erupções cutâneas no rosto, couro cabeludo e pescoço.

Para a raiva também não nada definitivo, embora seja tratável. Os casos graves são fatais. É uma infecção viral que afeta o sistema nervoso transmitida através da mordida de um animal portador do vírus.

O ebola já assustou mundo, mas continua sem solução. É enfermidade infecciosa e transmitida pelo contato direto, que produz febre alta, dor de cabeça, falta de apetite e conjuntivite, progredindo para náuseas, diarreia e profundas hemorragias.

A temida paralisia infantil, a pólio é uma infecção viral aguda que afeta o sistema nervoso. Infelizmente continua sem cura, matando crianças nos dias de hoje.

E nem precisa falar do coronavírus, que provoca a Covid19, razão da pandemia que estamos vivendo e causando todos os problemas. Provavelmente não nenhuma pessoa do planeta que não tenha sido prejudicada, direta ou indiretamente, pelo caos que se instalou no mundo.

Resumindo

O objetivo dessa matéria não é avançar no campo político, mas é necessário dizer que a maioria dos países investem mais em armamento bélico do que na saúde. Falta dinheiro para as pesquisas e formação de novos profissionais da área. No Brasil, a maior parte do dinheiro gasto na saúde das pessoas vem da própria população. Isso faz com que sejamos um país doente, ao lado de muitos outros.

A tecnologia

Uma das boas novas da saúde é telemedicina, uma forma de complementar, e não substituir, o tratamento médico presencial, utilizando as novas tecnologias para realizar acompanhamento médico remoto, até com cirurgias.

A medicina de células-tronco será uma potente ferramenta na medicina tradicional. Por exemplo, órgãos humanos de reposição para transplante serão cultivados sob demanda a partir de células-tronco em laboratório, com risco mínimo de rejeição.

A nanomedicina, que está engatinhando, poderá, eventualmente, superar todos os outros ramos da ciência médica, conforme cientistas criam “medicamentos de grife” que são muito mais poderosos do que os medicamentos atuais.

Robôs cirúrgicos, realidade que permite cortes menores em cirurgias, proporcionando uma recuperação mais rápida para o paciente

A inteligência artificial aplicada à medicina está focada em armazenamento dos dados dos pacientes na nuvem. Estes podem ser consultados por outros profissionais em tempo real, e auxiliam também no diagnóstico com associação de sintomas à determinadas patologias.

O tratamento com prótons é um dos avanços da medicina mais importantes no que diz respeito ao combate ao câncer.

Há ainda medicamentos em testes que poderão revolucionar tratamentos de doenças graves. Um exemplo é o Emicizumabe, desenvolvido para auxiliar no tratamento da hemofilia.

Como se vê, andamos muito, mas ainda somos um mundo doente que, além das doenças, ainda enfrenta o medo de que há sempre alguém impedindo a produção de remédios que curam, para que a indústria sobreviva fabricando medicamentos que protelam o tratamento das pessoas, “levando com a barriga”, em nome do dinheiro. Verdade ou não, não deixa de ser mais uma doença.

Nossa homenagem

Fica aqui também a nossa homenagem a todos os profissionais de saúde que se debruçam buscando curas, passam noites e dias ao lado de seus pacientes e não medem esforços para salvar vidas, muitas vezes arriscando as próprias, como é o caso dos que tratam de pessoas com a Covid19. Parabéns a quem realmente merece as homenagens: àqueles que representam verdadeiramente, com dignidade, a Saúde!