Editorial 18/09/2018

Quem fala demais dá bom dia a cavalo

A velha e conhecida frase do título, “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”, é mais conhecida que moeda de um real, mas é uma grande verdade e, talvez por isso, pouca gente, ou quase ninguém, se atreve a comentar as candidaturas de deputado estadual. Vai ver que é porque fica meio chato tomar lados numa cidade pequena, onde quando não se é parente, é vizinho, conhecido ou tem alguma ligação com um dos candidatos.

Dia desses houve um “entrevero” entre defensores de dois pretendentes da casa que levou à meditações sobre o passado, onde um deles reclamou de serviços prestados durante toda uma vida e que se sentia “apunhalado”.

São coisas que acontecem nas melhores famílias, porque quando os interesses políticos se sobrepões às considerações de relacionamentos é normal que cada um puxe a “sardinha para sua brasa”.

As brigas entre amigos e parentes têm ficado mais comuns nos últimos anos, a partir da ruptura entre os que amam Lula, Dilma e sua turma e os que querem ver os petistas pelas costas. Nunca se viu, assustadoramente, nada igual nos últimos 30 anos. É uma enorme divisão de correntes políticas e de pensamentos diversos em torno do assunto. É mesmo assustador o que se vê nas redes sociais, onde, em meio a mensagens ingênuas ou inteligentes, há verdadeiros impropérios dirigidos ao presidente Lula e a quem se declara contra ele.

Ocorre que a indignação que se esparrama por osmose, e outros meios, leva o brasileiro a vomitar toda a aversão que sente por aqueles que surrupiaram o dinheiro do povo, além de outros crimes que acabam no objetivo de mesmo intento. Do outro lado, há quem continue apostando que Lula e outros tantos presos são apensas pobres inocentes perseguidos da Justiça.

A guerra que se trava nas redes sociais já desfez amizades até de pessoas que nem políticos eram. O nível de discussão sobre governantes já extrapolou as esferas daqueles que se diziam “entendidos” do assunto. Todo mundo dá opiniões, porém, grande parte é na base da “Maria vai com as outras”, onde se publica mentiras, tanto de um lado, quanto de outro. Trata-se de uma guerra que precisa ter um basta, pois junto com a liberdade de expressão está também a libertinagem e a irresponsabilidade de quem acha que tudo é um circo, onde se travam batalhas sem a preocupação de onde vão terminar, sob uma tênue linha divisória que separa a liberdade de expressão da ingenuidade do pensar que tudo é permitido, sem consequências.

A casa vai cair na hora em que os ofendidos resolveram fazer um arrastão e convocar autores de ofensas, que aparentemente são simples bobagens. Nem pensem que o grande número de publicações será um empecilho, porque quem bate, esquece, quem apanha, nunca e, colocar uns cinco no paredão da Justiça para servir de exemplo não será só um consolo, pode significar a redenção. Vovó já dizia que: “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Então, é melhor parar por aqui.