Promessa que limpa nomes é golpe

As mídias sociais estão sempre repletas de anúncios de gente ou “empresas” prometendo limpar o nome de quem está pendurado no SPC ou no Serasa. Mas nesta semana, parece que esse tipo de anúncio fez avalanche na internet, em todas as redes sociais. Talvez seja pela aproximação dos primeiros pagamentos do ano, neste fim de janeiro. São inúmeras as promessas e as formas tentadoras para muitos que pagam pelo trabalhinho milagroso.

Um levantamento feito com pessoas endividadas, inadimplentes, mostrou que em 60% dos casos, quem contratou um “milagre” desse para ter o nome limpo, perdeu o dinheiro pago e continuou com o nome “sujo” na praça. Os dados foram levantados pelo Serviço de Proteção ao Crédito, o SPC Brasil, e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.

O que ocorre, segundo especialistas no Serviço de Proteção ao Crédito, é que “algumas pessoas se aproveitam de um momento de fragilidade do consumidor e fazem promessas impossíveis, como retirar o nome da lista de negativados sem ter que pagar pela dívida que está atrasada”.

Na verdade, pagar por um serviço desses é ingenuidade ou má fé, pois a tentativa de limpar o nome da lista de devedores sem pagar o que deve não é uma prática honesta e só existe uma forma de limpar o nome sem cometer o crime de burlar o sistema: pagando a conta.

Os anúncios que prometem o “servicinho” são no mínimo mal-intencionados. Até onde se sabe, honestamente, nenhum funcionário do Serasa pode simplesmente acessar o sistema deles e limpar o nome de ninguém sem a comprovação da dívida saldada, paga. Só quem pode fornecer a informação de que o inadimplente não deve mais nada é a empresa que a negativou, e é por um comando eletrônico, e não por um funcionário do Serasa. Se isso acontecer, é crime, e quem paga por ele é criminoso também.

Contratar uma pessoa, empresa, assessoria, para limpar o nome sujo é arriscado e desnecessário. Por isso, o melhor caminho é pagando. Mas, porém, portanto, todavia, entretanto, o grande problema é a pergunta: pagar como, se não tem dinheiro. A resposta só pode ser uma: esse é outro problema, porque a falta de recursos financeiros não justifica cometer crime, roubando ou burlando os meios que tentam garantir a estabilidade do mercado. O credor não tem culpa de quem sai gastando mais do que ganha, estourando o cartão de crédito como se ele tivesse poder ilimitado de gastos.

Se fosse tão fácil fazer a tal limpeza de nomes, seria o melhor negócio do mercado, ninguém mais iria ser seprocado, os bancos estariam de cabelos em pé e o SPC e SERASA não teriam faturamento de milhões de reais ao ano. Seria uma beleza comprar e não pagar, um paraíso para os inadimplentes.

A promessa de limpar nome de dívidas é, então, um golpe. Golpe aliás merecido para os ‘nós-cegos’ que tentam de todos os meios dar o calote e ficar ‘de boa’. Mais ingenuidade ainda é procurar a polícia para denunciar que foi vítima do golpe. É a mesma coisa dizer que foi enganado com uma falsa máquina de fabricar dinheiro. Em vez de registrar um B.O., vai preso!