Eu creio na vida eterna e na feliz ressurreição

A ressurreição é o motivo dominante na liturgia deste domingo (10/11). Ela é o centro da vida das primeiras comunidades cristãs e na Igreja de todos os tempos. Sem a ressurreição não há fé nem esperança. Sem a ressurreição não existiria nada de novo e a última palavra seria da morte. Porém, a ressurreição de Jesus abre para toda a humanidade um futuro de vida plena. A morte não tem a última palavra. Deus é amigo da vida. “Ele é Deus não dos mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele”.

Alguns saduceus se aproximam de Jesus para provocá-lo e desmoralizá-lo diante das pessoas que o escutavam e seguiam. Os saduceus não eram muito populares entre as pessoas simples das aldeias. Formavam um grupo composto por famílias pertencentes à elite de Jerusalém; não aceitavam a maneira como Jesus apresentava Deus às pessoas. Eles negavam a ressurreição que para eles era coisa de gente ingênua. Não se preocupavam com a vida além da morte.

Aproximam-se de Jesus com um caso absolutamente irreal, fruto de sua imaginação. Apresentam a situação de sete irmãos que se casam sucessivamente com a mesma mulher para assegurar a continuidade do nome, da herança do ramo masculino. Jesus os confronta dizendo que a vida definitiva junto a Deus não é reprodução da vida como ela é hoje. A ressurreição não é uma simples reanimação de um cadáver. Jesus conduz a reflexão sob outro enfoque e desmascara a maldade dos saduceus. Falando do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Jesus reconduz o discurso ao tema da aliança de fidelidade que foi prometida aos pais da fé e manifestada em toda a história de Israel. A ressurreição é uma promessa de Deus que garante que a vida é permanente, sempre nova e sempre renovada. É impossível imaginá-la ou descrevê-la; ela pertence ao mundo de Deus e à sua decisão de estar sempre próximo do ser humano. Da nossa parte cabe somente acolher este dom de Deus, através da fé incondicional à sua promessa.

A ressurreição de Jesus revela que Deus – para sempre e para todos – é o Deus da vida, que destrói a morte. A ressurreição de Cristo não é um milagre entre outros, mas é a novidade absoluta de Deus no reino governado pela doença e solidão que limita o ser humano. É a água que jorra no deserto, o respiro divino que atravessa o mundo das trevas. A páscoa é o canto da vida que irrompe dos escombros da vida, produzida pelo ser humano. A mensagem do evangelho de hoje é de extrema atualidade porque reafirma que Deus é Deus-conosco e que a criação não será jamais abandonada a si mesma, porque Deus criou todas as coisas para a vida e todas as coisas subsistem nele.

Assim sendo, o evangelho de hoje é um convite a renovar nossa fé no Deus da vida, que fez de seu filho Jesus o primogênito dos que ressuscitam dos mortos, criando para nós o caminho da vida eterna.

Crer na ressurreição de Jesus nos leva a crer na nossa própria ressurreição, a celebrar a vida nova de nossos mortos e a esperar ativamente nos encontrarmos todos e todas no banquete eterno, onde todos, sem exceção, nos sentaremos na mesma mesa dos filhos e filhas de Deus.

 

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo