Isolamento e o aumento do consumo de cigarro

Os fumantes fazem parte do grupo de risco de infecção contra a Covid-19 e estão mais sujeitos ao risco de morte que a população em geral, caso contraiam a doença. Esta informação não é suficiente para que o consumo seja reduzido, muito pelo contrário, o consumo tem aumentado, segundo pesquisas realizadas.

O aumento se deve a vários fatores e as motivações são individuais, considerando em primeira instância que se trata de um vício e sua eliminação implica a superação da dependência física e emocional, ou seja, é um desafio se libertar do uso de tabaco.

A indústria do tabagismo tem investido pesado em campanhas publicitárias para que o consumo se eleve e o foco principal é a população jovem, que muitas vezes faz uso esporádico do tabaco, cigarro eletrônico ou narguilé.

Aos que são veteranos, a maior parte declara que com a pandemia está consumindo mais, alegando que ao ficar mais tempo em casa, é um recurso extra que ajuda acalmar em tempos de ansiedade e tensão.

A ideia que o tabaco acalma é mais um efeito psicológico. É usado como um mecanismo de fuga para a ansiedade. Durante o ritual de fumar, o fumante se desliga do que está ao redor e se concentra no ato de fumar. Na verdade, a química do cigarro acelera o metabolismo.

Há uma minoria de fumantes que aproveitaram o período de isolamento para tomar a decisão de abandonar de vez o cigarro. Esta faz parte do grupo onde o ato de fumar está relacionado à convivência social, em barzinhos ou em ambientes de lazer com os amigos. Para quem não decidiu abandonar o vício, é importante saber que é possível. Pra quem está na tentativa e se sente frágil, buscar ajuda é importante. Existem muitos recursos como terapia ou programas ofertados pelos ministérios da saúde que preveem acompanhamento médico, psicológico e medicamentoso, quando necessários. Saiba que você tem a quem recorrer.

Lembramos que o ato de fumar faz com que o fumante leve as mãos à boca e o cigarro pode estar contaminado. Quando o narguilé é compartilhado entre várias pessoas, aumenta o risco de propagação do vírus.

Além disso, cuidar e ajudar fumantes a parar de fumar assim como ajudar na disseminação dos riscos para que não tenhamos novos fumantes é de fundamental importância nos agravos diversos da pandemia. Portanto, se você convive com um fumante, o oriente a deixar o vício. Caso ele acolha sua sugestão, o ajude a encontrar a melhor forma para que isto aconteça.

 

Silvana Pedro Pinto é psicóloga.

Atende adultos e crianças na Clínica Bambini em Assis Chateaubriand