MDB do Paraná expulsa três vereadores do partido em Cafelândia

DECISÃO DA COMISSÃO DE ÉTICA DO PARTIDO É CONTRA VEREADORES DE CAFELÂNDIA…

Três dos cinco vereadores do MDB de Cafelândia foram expulsos do partido pela Comissão de Ética do diretório estadual por estarem “agindo em desacordo com a ideologia partidária”.

Após extenso processo de apuração e julgamento dos fatos denunciados, a decisão atingiu os vereadores Ademir Antunes Branco, Leacir José Motter e Osni Eising. Eles já foram notificados e pretendem recorrer dentro do próprio partido.

Pesou contra os vereadores, as acusações de fidelidade partidária, atentado a ética partidária e atividade política contrária às questões de ordem do partido dentre outras infrações cometidas do âmbito da agremiação.

Na ata que definiu pelas expulsões, foram listados três motivos que levaram a comissão a tomar a decisão, entre elas apoio nas últimas eleições a candidatos de outros partidos.

O documento cita que Leacir Motter apoiou para a Assembleia Legislativa o vereador Gugu Bueno (PR) e Osni Eising o deputado reeleito Marcio Pacheco, que concorreu pelo PPL e hoje está no PDT. Já Ademir Antunes Branco teria apoiado o deputado eleito Marcel Micheletto (PR).

Outro motivo apontado pela comissão é o fato de os vereadores terem votado, sem consultar a posição partidária, contra projetos de leis oriundos do Executivo, decisão que teria prejudicado o Município e o orçamento. (O prefeito de Cafelândia, Estanislau Mateus Frânus, pertence ao MDB).

Além disso, eles teriam votado secretamente pela cassação do ex-presidente da Câmara, Rodrigo Jair Diefenthaler, também do partido.

O processo de cassação foi marcado por inúmeras polêmicas, inclusive, o Tribunal de Justiça do Paraná, em decisão unânime, reverteu a cassação do vereador, afirmando que todo procedimento de cassação, violou as leis pertinentes, bem como as provas apresentadas pela acusação, foram fraudadas e editadas, não tendo qualquer valor legal segundo o documento emitido pelo MDB.

O documento diz ainda que durante aquele processo, diante dos fortes indícios de manipulação, os colegas emedebistas, Ademir Antunes Branco, Leacir José Motter e Osni Eising, se organizaram numa frente parlamentar para propor um decreto legislativo, afim de suspender uma licitação da prefeitura de Cafelândia, cujo prefeito é o também emedebista, Estanislau Mateus Frânus.

Após tramitar na Câmara, o decreto legislativo foi contestado pelo Ministério Público da Comarca que suscitou uma possível ação dos vereadores em favorecimento indevido de empresas de saúde da cidade de Cafelândia. Após isto, o decreto foi retirado de pauta e o inquérito foi instaurado pelo Ministério Público para apurar os fatos com maiores detalhes.

Com base nas graves ações ante partidárias dos vereadores, incluindo os ataques a colegas de partido, a Comissão de Ética do partido decidiu a favor da expulsão dos três vereadores por unanimidade.

O documento foi amplamente divulgado à imprensa através do próprio MDB Paraná, que divulgou nota de procedimento disciplinar do MDB Paraná para expulsar os três vereadores de Cafelândia acima citados.

Nas afirmações que circularam na imprensa, os três vereadores negaram veementemente as afirmações, mas, infelizmente, já foram expulsos do MDB Paraná na última semana.

O vereador Leacir Motter considerou a decisão arbitrária e disse que vai se defender. “A partir do momento em que ficamos quietos estamos concordando com o que eles [Comissão de Ética] estão falando”, afirma. Motter, que é filho do ex-prefeito Benjamin Antônio Motter, estava filiado ao partido há cinco anos. Para ele, o diretório está “de olho nas cadeiras”.

Ademir Antunes Branco se filiou ao partido no ano passado para disputar sua primeira eleição e foi eleito com 557 votos, o mais votado de Cafelândia. Ele conta que desde criança foi simpatizante do MDB, mas por ser policial militar nunca se filiou. “Tenho até hoje um caminhãozinho com marcas de esmalte escrito MDB”, relata, sobre um brinquedo infantil que ganhou quando tinha oito anos. Branco afirmou que, por enquanto, não pretende se manifestar sobre a decisão da comissão, mas sobre votar contra projetos do prefeito afirmou que, sempre que considerar que projetos não sejam bons para a população, irá se posicionar contrário.

O vereador Osni Eising também afirmou que vai se defender e não quis comentar a decisão do diretório estadual. “Temos que recorrer porque se não recorrer estamos coniventes com a situação. Vamos nos defender”, disse.