Nada melhor que um dia após o outro

Formou-se o tempo, veio a ventania, poeira, ciscos e nada de chuva. Muita gente, levada pela grande imprensa e pelos “fazedores” de opiniões, acreditaram que esse ano as eleições seriam decididas pelas redes sociais, como se elas fizessem milagres. Ledo engando.

Como eu disse aqui, mais de uma vez durante a campanha, propaganda é bom em qualquer lugar, mas se não tiver conteúdo para propagandear, não adianta nada.

Foi o que aconteceu. Muito embora os conteúdos nem sempre são verdadeiros, mas forjados em bagagens alheias, usados como muletas e empurrados goela abaixo nos incautos, aqueles que ainda acreditam que competência se adquire por procuração ou no colo de alguém.

Como sempre, se viu de tudo, da simples, insonsa e ingênua candidatura de quem acha que bastava visitar e cumprimentar eleitores para se eleger, até os mais experientes candidatos que sabiam que não se pode esperar muita consciência na hora do votinho. É que o tão esperado voto consciente só existe na cabeça de uma minoria que conhece e confia que seu candidato é mesmo capaz de exercer uma função política.

A grande massa ainda sonha em mudanças, baseada em promessas eleitoreiras que se repetem a cada campanha. As promessas ainda são instrumento de enganação, muitas vezes até sem maldade, pois há um número grande de candidatos ingênuos que acreditam mesmo no que prometem, achando que podem fazer melhor do que quem já ocupa o poder.

Isso ocorre muito com candidatos, que têm em mente que os atuais no poder não fazem melhor porque não querem, ou porque são corruptos. Coitados, mal sabem os iludidos novatos que, como diria vovó, o buraco é mais embaixo. São inúmeros os que pregam o tão falado “momento de renovação”, como se o simples fato de trocar as bundas das cadeiras fosse resolver alguma coisa. Como todos sabemos, falar até papagaio fala, mas na hora de a onça beber água é que a porca torce o rabo.

Nem tudo o que reluz é ouro, descobre o infeliz que prometeu mundos e fundos para ocupar um posto sonhado por todos que se aventuram a disputar a preferência do eleitorado. Quando as cortinas se abrem, o show que deveria haver não passa de um filme repetido, onde o protagonista passa a ser esse novo expectador, que assume a batata quente, sem nada pode fazer para melhorar a vida daqueles a quem prometeu mover pedras, rios e montanhas. Neste momento, como diz a música, ele chora, chora e chora, por não ter como se explicar, já sabendo que na próxima eleição não será mais um a renovar, pelo contrário, será um “novo” traseiro que um outro novato ingênuo irá expor na calçada para ser chutado, como peça em substituição.

Claro que todo sangue novo é bem-vindo. São eles que garantem a competição para que o melhor aconteça. Mas é preciso que também possuam não só o título de novidade, mas o conhecimento necessário para renovar, pois só assim terão o respeito da continuidade que, no fundo, todos almejam. Nada melhor que um dia após o outro para saber o que nos reserva o amanhã.