No primeiro debate entre candidatos à Reitoria, Ricardo Marcelo assume compromisso de respeitar a vontade da comunidade universitária

O primeiro debate entre as duas chapas concorrentes à Reitoria da UFPR, na tarde desta
sexta-feira, deixou claras as diferenças entre as duas propostas e também o grau de
compromisso de cada uma com a democracia, com a autonomia universitária e com os direitos
de docentes, servidores técnicos e estudantes.

Enquanto a Chapa 1 gastou boa parte do tempo com ataques pessoais e negou-se a se
comprometer com o respeito à vontade da comunidade na consulta de setembro, o professor
Ricardo Marcelo Fonseca e a professora Graciela Bolzón de Muniz, da Chapa 2, apresentaram
propostas consistentes e assumiram o compromisso de só permanecer no processo, que
termina com a nomeação pelo governo federal, se forem os escolhidos pela comunidade
universitária.
O debate foi acompanhado pela internet por mais de 1.300 pessoas e durou pouco mais de
três horas, evidenciando as diferenças de concepção a respeito de vários temas centrais para a
UFPR. Um desses temas é a assistência estudantil, que os candidatos da Chapa 1 insistiram em
classificar como “assistencialismo”. O professor Ricardo Marcelo rebateu que, numa sociedade
desigual como a brasileira, essa é uma política fundamental para assegurar a permanência de
estudantes menos favorecidos na universidade: “Assistência estudantil é assunto de Estado, é
prevista em lei, é um direito social, não é caridade, e assim tem que continuar”.
As duas chapas também divergiram em assuntos como a definição de políticas de uso dos
laboratórios e os campi avançados da UFPR e. “Ao contrário da outra chapa, entendemos que
os campi avançados, sobretudo os mais novos, têm especificidades que merecem atenção da
administração central. Por isso nossa gestão criou a Integra, que foi revolucionaria pra
aproximar esses campi, pra que não se sintam um centímetros diferentes dos campi centrais”,
disse Ricardo Marcelo.
Mas talvez a principal divergência tenha surgido quando se tratou da autonomia universitária.
Em uma das perguntas enviadas previamente e sorteadas pelos mediadores, um docente da
UFPR perguntou aos candidatos se, derrotados na consulta paritária marcada para os dias 1o e
2 de setembro, retirariam a candidatura perante o colégio eleitoral, de maneira a respeitar a
vontade da comunidade.
Ao contrário do candidato da Chapa 1, que não assumiu esse compromisso, o professor
Ricardo Marcelo reafirmou o que já havia dito antes, durante o debate: “Eu e Graciela faremos
isso por respeito ao Conselho Universitário, às três entidades que compõem a Comissão
Paritária de Consulta, e sobretudo à história da nossa universidade. Se eventualmente não
formos os escolhidos, no dia seguinte nós retiraremos a candidatura, porque assim sempre se
fez, desde a eleição de Riad Salamuni, em 1985. Vamos honrar a história da universidade, sua
autonomia e a democracia”.
A professora Graciela destacou o compromisso da Chapa 2 com “o diálogo, a formação plural,
humanista e profissionalizante” e também a experiência adquirida desde 2017, com uma
gestão em tempos de crise. “Muito ainda temos para fazer, para realizar a vocação da nossa
UFPR, que tanto nos orgulha. Precisamos cada vez mais promover o diálogo, o relacionamento
entre academia e agentes públicos e privados, na busca de parceria estratégicas”, afirmou.

“Estamos com gana, com vontade, mas hoje temos mais experiência, temos inclusive o couro
mais duro, inclusive para as aleivosias, os ataques”, afirmou Ricardo Marcelo em suas
considerações finais.

 

 

 

 

 

A UFPR de Todos Nós  
Assessoria de comunicação
Lorena Klenk / Maria Fernanda Mileski