O buraco é mais embaixo

O calendário marcou no dia 03 de julho o Dia de São Tomé. O apóstolo que não acreditou quando Jesus lhe apareceu após ter morrido na cruz e ressuscitado. Tomé queria ver as chagas do Mestre para poder crer. O Papa São Gregório Magno, meditando essa dúvida, disse que a incredulidade de Tomé não foi um acaso, mas prevista nos planos de Deus. O discípulo, ao duvidar da ressurreição do Mestre, pôs as mãos nas chagas do mesmo e curou com isso a ferida da nossa incredulidade.

Porém, a incredulidade referida é com relação à verdade sobre Jesus e não sobre a sequência de vida entre mortais, que continua uma bagunça cheia de mentiras até hoje.

Em verdade, falta um pouco (ou muito) de São Tomé nas pessoas quando acreditam no que os semelhantes falam. Todo dia, toda hora têm gente caindo em conto do bilhete premiado, em contos do vigário, em falso testemunho e em promessas de políticos. Aliás, aí está um dos assuntos em que falta muito de Tomé no brasileiro.

Se cada um de nós procurasse colocar um dedo nas feridas dos candidatos a cargos públicos, veríamos que “o buraco é mais embaixo”. Sim, porque o que muitos nos mostram são feridas falsas, que, deixando as parábolas de lado, são simplesmente caras que não pertencem a alguns, que as vestem como máscaras apenas para pedir votos, batendo palmas de casa em casa, distribuindo santinhos que não passam de capetas em busca da locupletação com o erário ou para satisfazer um ego pessoal, aquele que dá poder por quatro anos, e outros quatro, se tudo der certo.

Em muitas comunidades já estão fazendo reuniões com pretensos candidatos a algum cargo, para a ‘viúva’ ou para a casa das muitas cadeiras, visando as eleições do ano que vem. Tem muita gente imbuída das boas intenções, com excelentes ideias e vontade de trabalhar pela coletividade. Mas, como sempre, há uma leva de gente sem eira nem beira. Alguns até são gente boa, mas sem conteúdo nenhum, além da vontade de virar “otoridade” e ganhar um salário bem bom.

É aqui que entra o espírito de São Tomé, aquele que nos sopra aos ouvidos e diz: não acredite em tudo o que vê, meta o dedo, esprema que o bicho berra. Vai fundo, porque na maioria das vezes o buraco é mesmo mais embaixo.