O cotidiano que banaliza a vida

Já foi dito que 30% dos homicídios que ocorrem no país têm causas banais. A afirmação em forma de balanço geral de ocorrências citou alguns crimes que se incluem nessa “modalidade”, como discussões no trânsito, brigas em bares ou entre vizinhos, além da violência doméstica.

Os dicionários definem a palavra banal como sendo algo comum, corriqueiro, trivial, vulgar.

Boa parte da imprensa mundial também tipifica casos, considerando comuns os que ocorrem em maior ou menor quantidade, como se a vida também fosse trivial, conforme a maneira como chega ao fim.

Com a diferenciação de casos por ocorrências e a definição do que é banalidade, segundo milhares de notícias que circulam a cada hora pelo mundo, temos que, matar no trânsito, dar um tiro no vizinho ou uma facada no colega que joga sinuca num bar é corriqueiro, portanto, normal. O que não é tratado como normais são os crimes que não acontecem todo dia numa cidade. Porém, quanto mais ela cresce, junto vai à violência com seus números, que também sobem com o progresso.

Se, quando um tipo de crime passa a acontecer com mais frequência, ele é considerado “banal”. Então, bala perdida no Rio de Janeiro já seria trivial, portanto, banal.

Assim sendo, em não diminuindo os índices de violência, não vai demorar muito tempo para que todos os crimes sejam considerados banais.

Já se sabe que a certeza da impunidade é um elemento convidativo aos marginais, que leva ao aumento dos crimes banais.

Pesquisadores de segurança pública garantem que as leis atuais precisam ser mudadas, com aplicações mais rígidas, afirmando que, a partir do momento em que se tem a convicção de que nada acontecerá, devido a um conjunto de leis que proporcionam uma série de medidas permissivas, na cabeça dos meliantes tudo começa a ser possível.

Com isso, chega-se à conclusão de que matar está sendo algo cada vez mais corriqueiro, trivial, banal. Os criminosos sem antecedentes saem facilmente da cadeia, com pouco tempo de pena. “O primeiro homicídio de um indivíduo vira cortesia do Estado, porque os artifícios legais que o autor tem para se safar são maiores do que a lei para mantê-lo preso”, garantem os pesquisadores.

A questão de ser banal, ou não, é só uma maneira de classificar o crime. Difícil é explicar o termo “banal” a uma viúva que perdeu o marido em uma briga de trânsito, para um pai cujo filho morreu num assalto ou para a família de alguém que perdeu a vida por uma discussão com vizinho. Tudo pode ser banal quando a própria vida é tratada como trivial e vulgar.