Os custos humanos e financeiros dos acidentes de trânsito

A segurança no trânsito está se tornando um dos mais graves e trágicos dilemas enfrentadas por governantes, legisladores, agentes de fiscalização, motoristas e cidadãos brasileiros.

Conforme dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), apresentados em evento nacional em Brasília no final de maio, o trânsito urbano e rodoviário mata 5 pessoas e manda outras 20 para tratamento hospitalar por hora no País, ao custo de R$ 3 bilhões em 10 anos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Conforme o estudo, a imprudência é a principal razão dos desastres, mas o mau estado de rodovias e vias urbanas, as deficiências na sinalização, os problemas na manutenção de veículos e a falta de maior rigor na fiscalização, também contribuem para essa tragédia lamentável, que muitas vezes vitima pessoas inocentes e responsáveis, como motoristas, motociclistas, passageiros, ciclistas e pedestres.

De acordo com o levantamento, os acidentes de trânsito no Brasil atingem principalmente homens, que representam 80% das vítimas, a maioria formada por jovens. Em 60% dos casos fatais, as vítimas têm entre 15 e 39 anos, enquanto 8,2% até 14 anos e 8,4% são maiores de 60 anos.

Segundo o estudo da CFM, nas regiões Sul e Sudeste os óbitos caíram, respectivamente, 15% e 18% entre 2007 e 2016. Na Região Norte, a mortalidade por acidentes subiu 30%, enquanto no Nordeste o crescimento foi de 28%. Na região Centro-Oeste, a alta foi de 7%.

Um número impressionante de tragédias foi registrado no Estado do Piauí, onde as mortes em acidentes de trânsito saltaram de 670 para 1.047 entre 2007 e 2016, com aumento de 56%. A razão para essa calamidade estaria na utilização de motocicletas, pois nesses veículos os para-choques são as pernas dos condutores.

Especialistas esclarecem que o aumento de acidentes no Norte e Nordeste se deve ao crescimento significativo do uso de motos nos últimos anos, substituindo cavalos e asnos, até agora tradicionais na movimentação de pessoas e pequenas cargas nessas regiões.

Ocorre que as motocicletas são meio de transporte barato e fácil de ser conduzido, embora também mais vulneráveis aos acidentes de trânsito, já que motociclistas são menos visíveis no trânsito, disputam espaço com veículos maiores e, com pouca proteção, acabam sofrendo lesões graves, que exigem internações hospitalares e muitas vezes deixam sequelas graves.

Como consequência dessa realidade, entre 2009 e 2018, as internações hospitalares por acidentes de trânsito cresceram 33% no País. No Estado de Tocantins, as 60 internações de 2009 saltaram para 1.348 em 2018, com aumento de 2.147%.

Em segundo lugar nessa trágica estatística ficou o Estado de Pernambuco, com elevação de 725% nas internações na última década. Apenas Maranhão, com redução de 40%, Rio Grande do Sul de 22%, Paraíba de 20%, Distrito Federal de 16% e Rio de Janeiro com diminuição de 2%, registraram queda no índice.

Para agravar ainda mais essa tragédia, as internações decorrentes de acidentes com motociclistas são ainda mais onerosas, pois exigem cirurgias complexas, como neurológicas, vasculares e ortopédicas, além de maior tempo de internação.

Dessa forma, as 20 internações por hora de vítimas de acidentes de trânsito custaram cerca de R$ 290 milhões por ano ou R$ 3 bilhões em 10 anos, ao SUS e serviços de saúde estaduais e municipais.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e

ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

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