Quem fala demais dá bom dia a cavalo

Clóvis de Almeida

 

 

Uma pesquisa do Data Folha realizada com pessoas que têm acesso às redes sociais revelou que 51% dos brasileiros já deixaram de fazer algum comentário político na internet para evitar discussões. Significa que 49% continuam comentando ou prontos para emitirem alguma opinião a qualquer momento.

As redes sociais são fábricas de bate bocas intermináveis, principalmente quando se trata de política. Raramente são discussões de alto nível, pois o que mais se ouve são pessoas defendendo seus lados e agredindo os opostos. E, como sempre, na falta de argumentos, sobra a verborragia, onde o vazio das palavras se mistura a impropérios dos mais variados.

No calor dos desfiles de postagens também se encontram infiltrados os contratados por dinheiro para distribuir insultos, quase sempre assessorados por alguém com mais conhecimento. Não falta gente para eriçar o pelo e partir para o contra-ataque, motivo de alegria dos atiçadores de gasolina nas fogueiras acaloradas. O pior é que nas animosidades sempre sobram ofensas graves.

Enfileirados nas postagens, os santinhos antecipados, de todos os tipos e para todos os gostos, anunciando boas novas ou dizendo abram alas que eu quero passar.

Como dizia o humorista Barnabé, “adivido que isso”, vou contar um fato recente, para que sirva de ilustração a quem interessar possa:

A juíza de Direito Vânia Petermann, do Juizado Especial Cível e Criminal da Universidade Federal de SC, determinou que uma mulher pague por dano moral após ter ofendido um internauta no espaço de comentários em uma página no Facebook.

Após publicar uma postagem, a mulher fez um comentário, o que provocou uma troca de mensagens entre as partes, que resultou em palavras caluniosas por parte dela.

Ao analisar o caso, a magistrada determinou que a mulher pague R$ 2,5 mil de dano moral, por entender que a resposta da mulher causou abalos à honra subjetiva e objetiva do homem.

Ela disse que, apesar de compreender a animosidade que envolvia as partes durante a discussão na rede social, a liberdade de expressão inerente à mulher ultrapassou os limites dos direitos de personalidade igualmente garantidos ao autor. A juíza finalizou o veredicto assim: “Embora a liberdade de expressão seja um direito fundamental, não é absoluta e deve ser exercitada em respeito a outros valores também amparados pelo texto constitucional”.

 

Assim sendo, sem mais a declarar, fecha a conta e passa a régua, porque quem fala demais dá bom dia a cavalo.