Riam, mesmo que seja de mim

Clóvis de Almeida 

Ontem, um amigo me ligou para dar algumas sugestões de temas para esta coluna. Todas sobre as eleições, com ideias interessantes a abordar. Agradeci e avisei que vou mexer o doce na semana que vem, porque agora estou ocupado com outros assuntos. 

Tem quem não gosta do que escrevo. Boa parte só lê o título, porém, e felizmente, tenho um público que valoriza minhas linhas, mesmo às vezes não concordando com as opiniões que tenho. Sem problemas, o importante é que estão lendo, estabelecendo comigo um quase diálogo na base do monólogo que faço em linhas aqui escritas. É como uma cumplicidade de boteco quando se faz presente aquele ar de biblioteca onde todos sabem tudo, da composição do sal até a liga que faz a sedimentação das rochas lunares. Entre um gole e outro, o que fica entre o Gênese e o Apocalipse são apenas detalhes altamente explicados no universo de uma mesa cheia de garrafas vazias, guardanapos riscados e copos sujos. É uma maravilha! 

Agora eu estou mergulhado de corpo, alma e chinelo Havaiana na criação de textos que vão compor vídeos e o charme do últimos tempos chamado “podcast”, que nada mais é que do uma gravação de voz, como já fazíamos no rádio há 40 anos, ao ler crônicas adocicadas com todos os tipos de temas, inclusive poemas ingênuos ou mensagens que faziam muita gente verter lágrimas. 

Chegou a hora de por em prática um projeto antigo de escrever artigos de autoajuda, algo do tipo “não faça reflexões profundas nem tenha muitas ideias”, porque a maioria das pessoas não tem tempo e nem saco para refletir frases complicadas. Tudo tem que ser curto e grosso, na melhor interpretação do “você pode, você é capaz, acredite!”. 

Vários artigos e livros que tentam ensinar a arte de escrever autoajuda sugerem que nesse tipo de leitura é possível fazer plágios, copiar e recopiar, porque os problemas são sempre iguais, portanto, as soluções também são as mesmas. Basta ver o tanto de gente que faz sucesso escrevendo livros na sombra de autores famosos, como Paulo Coelho. Odeio cópias. 

Não sei se os problemas são sempre os mesmos, pois não sou psicólogo nem pesquisador de desgraças alheias. Mas, sei que muita gente passa ou vai passar pelos mesmos caminhos que já passei. E é sobre isso e para essas pessoas que estou escrevendo. Não tenho receita pronta e nem remédio para resolver nada. Se não consegui resolver os meus problemas, não tenho como resolver os problemas dos outros. Entretanto, com base no que eu deixei de fazer, tenho a certeza de que posso ajudar pessoas a não cometerem as mesmas burrices. São 61 anos de acertos e cagadas que vão me nortear no novo projeto. Se não ajudar, pelo menos vai servir para alguém dar um pouco de risada, mesmo que seja de mim.