Saiba como ajudar os idosos a lidar com o isolamento

A pandemia tem assustando a todos, mas, a fatia da população que merece atenção especial é a dos idosos, grupo com risco elevado de morte caso sejam infectados pelo coronavírus, em virtude das fragilidades na saúde e as comorbidades apresentadas.

Também merecem atenção por pertencerem ao grupo dos teimosos, os que mais são incrédulos em relação à pandemia o que de certa forma colabora para aumentar os riscos de contrair a doença em virtude da exposição que se submetem. Circulam pelas ruas tranquilamente e a ida ao mercado parece mais um passeio, levando poucos itens. Alguns insistem que o casal realize a compra juntos, contrariando a orientação de apenas um membro da família realizar a compra.

Para cada quebra de regra de isolamento existem infinitas justificativas, dentre elas, que não fizeram nada de errado, não roubaram, então, por que ficar presos dentro de casa?

Nestes casos, os familiares, como rede de apoio precisam entrar em cena e tentar garantir que possam usufruir do mínimo de proteção e que consigam compreender as medidas de isolamento.

A palavra isolamento deve soar como medida de segurança necessária neste período que enfrentamos. O isolamento deve ser compreendido como resguardo físico e não prisão emocional. A comunicação com as outras pessoas deve permanecer. Os familiares devem se comunicar com os idosos com frequência, principalmente, com os que moram sozinhos. Os idosos mais jovens estão acostumados ao uso das redes sociais enquanto que os idosos de idade avançadas não, mas, estes raramente não dispõem de um aparelho telefônico, seja fixo ou celular. O importante é manter a comunicação.

Quando o idoso apresenta certo nível de dependência para a realização das atividades rotineiras, é recomendável que um membro da família seja seu apoio permanente, evitando o rodízio de cuidadores. Quando menor a exposição, melhor.

As informações sobre as medidas básicas de segurança, higiene e proteção devem ser ofertadas em linguagem clara e simples. Quando o idoso apresentar limitações na memória ou prejuízos cognitivos, repita as instruções quando houver necessidade. Não é hora de impor medo ou aterrorizar.

É importante também estar atento aos sinais psicológicos. Os que apresentam ou apresentaram anteriormente quadros de depressão ou ansiedade ficam mais propensos a recaídas e relatam o medo de adoecer ou morrer. Escute o idoso sem críticas e não o interrompa. Escutar atentamente já é uma grande ajuda, acolhendo seus sentimentos. Forneça informações verdadeiras sobre a pandemia e se coloque como apoio para o que precisar. Tudo o que desejam é ser compreendidos.

 

Silvana Pedro Pinto é psicóloga, pedagoga e psicopedagoga.

 Atende adultos e crianças na Clínica Bambini em Assis Chateaubriand.