SERÁ QUE ESTAMOS NA ERA TECNOCIÊNCIA E DO HOMEM SEM CONSCIÊNCIA?

Resistimos à invasão dos exércitos; não resistimos à invasão das ideias.” O escritor francês Victor Hugo compreendeu perfeitamente essa combinação de substância e momento oportuno que se juntam para formar uma ideia que consegue abalar as estruturas vigentes – destinada a ser grande. Mas a grandeza pode adquirir várias formas: grande e bela, grande e feia, grande e assustadora. É exatamente que aconteceu com o avanço da tecnociência.

 

Tecnociência do sonho à realidade

Saímos da tecnociência e entramos na tecnocracia A tecnocracia pretendia realizar a racionalização de tudo através dos chamados planos de desenvolvimento, dirigidos mediante a ordenação estatal do crédito, da exportação e importação, das exações fiscais e das isenções concedidas, da massificação dirigida e da orientação do ensino para as conquistas econômicas e sociais pretendidas.

Naturalmente tudo o que seria para facilitar a racionalização foi previamente favorecido pela tecnocracia: a homogeneização social, a formação da sociedade de consumo, a concentração das empresas, o domínio dos meios de comunicação social, o desenvolvimento das grandes cidades, o fortalecimento da burocracia.

Ela pretendia homogeneizar e incrementar a produção e elevar O nível de vida, e considera como meio para consegui-lo uma racionalização que se apoia na prefiguração mental, elaborada no alto, para aplicá-la mecanicamente a pessoas e coisas.

 

Revolução tecnológica e as mudanças de mentalidade

Nossos dias são marcados pela revolução tecnológica. Um processo que transformou profundamente a relação entre as pessoas. E transformou profundamente a relação entre as pessoas nas lidas com a natureza. Os idosos entre nós, homens e mulheres, ainda conheceram tempos diferentes. A técnica era pouca, a comunicação era direta. Havia continentes inteiros com a natureza intacta. Um quadro que sugere harmonia assim como os relatos da criação em Gênesis. O trabalho, as atividades produtivas, tinham, principalmente, a função de preservar e reproduzir a vida.

Este quadro mudou profundamente. Os últimos cem anos de nossa história registram transformações intensas e irreversíveis. As relações entre as pessoas são marcadas basicamente pela competição e pela concorrência. A natureza tornou-se absolutamente manipulável. Este processo tem uma motivação básica: a busca sempre mais intensa do lucro. As relações sociais são mediadas pelo lucro. O trabalho, a atividade produtiva, visa essencialmente o lucro. A preservação e a reprodução da vida são vistas sob a perspectiva do investimento e da rentabilidade. Pessoas e natureza foram transformadas em objetos, passíveis da exploração, visando o lucro.

 

Tecnologia e a concentração de poder e da renda

Este processo leva à concentração e à polarização. Por um lado, há concentração de poder, de riquezas, de saber e de qualidade de vida nas mãos de pequenas elites nacionais e, num quadro mais amplo, em poucos países. Por outro lado, nunca houve tanta fome e miséria. A ameaça de uma catástrofe ecológica nunca foi tão real como em nossos dias. O progresso movido pela sede do lucro tem a morte como resultado.

 

Ser humano tornou-se máquina

O ser humano no período de desenvolvimento sofreu muitas mutações. Assim a sociedade toda também passou por muitas transformações. Hoje todos nós estamos ‘Num universo infinito e dentro dele acorrentados por algemas psíquicas, sendo assim escravos e fiéis vassalos onde cumprimos os nossos deveres e não exigimos nossos direitos.

Entre as montanhas de concreto da cidade, as pessoas estão sós, onde a única ordem é “correr”, sem tempo para amar, pensar, sonhar, sorrir, chorar e se situar.

Assim fizemos parte da coisificação humana onde as máquinas ocupam os nossos lugares e nós nos transformamos em um objeto sem valor, uma coisa. Onde os parafusos, alavancas, pregos têm mais valor. Chegou a hora em que é necessário reeducar as pessoas para que voltem a apreciar mais uma flor do que um cimento armado.

 

É tempo de humanizar o homem

Somos como um robô com a cultura massificada e rotulada, ou seja, recebemos a programação e a efetuamos; enfim, somos manipulados como os robôs. A era tecnológica chegou e se instalou em nossas vidas. É comparável com um semáforo onde os carros obedecem a sinalização e estes carros somos nós, marchando às pressas atrás de uma recompensa pré-fabricada.

Com a tecnologia chegaram também os instrumentos de massacre como a marcas de multinacionais e ainda outros que levaram o povo à profunda miséria, ao consumismo onde a ordem é: Ande, Pare e Consuma. Daqui a alguns anos a humanidade vai ler isto sobre o século XXI.

Devemos desempenhar nosso papel na sociedade desde já, para que possamos mudar essa história. Vamos deixar de ilusões, pôr o pé na realidade e num grande mutirão arrebentaremos as algemas.

Em pleno século XXI, ainda teremos tempo para refletir juntos, num universo onde a humanidade não viverá só e sim viver numa sociedade com justiça e liberdade, porém a nova ordem será: PARE, REFLITA e AJA!

Muitos irão dizer: “Bela utopia.” Mas não será; pois, naquele tempo, nós estaremos conscientizados e não deixaremos mais que os outros nos dominem. Pense nisto, levante-se, dê o primeiro passo e diga não à exploração e vá à luta.

 

 

Filósofo e Teólogo – Professor de Filosofia, Antropologia e História;

Professor aposentado da UNIPAR/UNIVEL e CTESOP;

Professor da Rede Estadual de Educação – Colégio Chateaubriandense.

pardinhorama@gmail.com