Um santo de casa em cada um

A afirmação de que “santo de casa não faz milagres” tem as mais diferentes utilidades e inutilidades. Quando Jesus disse que o profeta não é reconhecido em sua própria terra, lembrou e deixou marcado pelos milênios à frente que as pessoas não valorizam seus próprios talentos.
Não ser reconhecido no próprio berço é dolorido, mas faz parte do ser humano achar que a comida do vizinho é mais gostosa. Mas esses santos fazem milagres sim, o que não ocorre, na maioria das vezes, é o merecido aplauso, em palmas ou financeiro.
É preciso enxergar que há desses santos por todos os lados, fazendo verdadeiros prodígios que, se não são obras divinas, pertencem a um mundo que só existe dentro das boas almas, aquelas que vivem para olhar o próximo, seja ele gente ou bicho, reconhecendo em cada um o devido valor que possui, não como um santo desses que se homenageia com imagens e orações, mas como um ser diferenciado que produz belas obras, de todos os tipos, que encanta ou simplesmente faz nossos dias mais bonitos ou mais práticos.
Não são apenas os artistas, aqueles que cantam, tocam, dançam, fazem a boa política ou falam bonito para merecer o carimbo da frase que destaca o “santo que faz milagre”. São inúmeros os seres fantásticos que espalham benesses por onde passam ou vivem e, a dimensão do tamanho do que praticam, só pode ser medida com o reconhecimento de quem testemunha suas ações, que podem ser observadas em mínimos detalhes, a partir de uma simples criatura que dedica parte de seu tempo para visitar doentes num hospital ou presidiários desconhecidos nos dias de visita em uma cadeia.
Há centenas de pessoas que doam suas vidas em prol do próximo, não apenas porque estudou para isso, mas porque se encaixam no rol dos santos comuns, muito embora estão muito acima do que se entende por normal. São médicos, enfermeiros, parteiras, benzedeiras, balconistas, pedreiros, carpinteiros, mecânicos, lixeiros, pintores, cozinheiras, faxineiras, professores, advogados, doutores ou iletrados, mas com o dom de ajudar que coloca as almas viventes em primeiro lugar.
Nesse pedestal dos santos de casa estão centenas de pessoas que dedicam suas vidas a cuidar de animais abandonados. Enquanto os insensíveis dizem que eles deveriam cuidar de crianças em lugar de bichos, simplesmente seguem a missão de dar cura e conforto a criaturas do Criador.
São milhares de santos de casa ao nosso redor. Basta olhar com os olhos da alma para vê-los. Quem sabe, você consegue ver um no espelho.