Vinte cinco de dezembro, o galo deu sinal

Os dias que antecediam o Natal de antigamente tinham o colorido da folia de dos santo reis em todos os cantos das cidades, com as conhecidas canções entoadas pelos foliões, ao som de violinos, violas, violões, pandeiros e os tambores rústicos, feitos com madeira, latas de querosene e couro de cabrito. De casa em casa, o objetivo era levar a Bandeira do Divino para adoração do dono da casa, que beijava o manto considerado santo, enquanto pregava com alfinete uma rosa, fita colorida, foto da família ou de alguém que precisava de orações ou para apenas uma homenagem ao Menino Jesus. Em seguida, entregava um donativo aos cantores da congada, divididos entre funções, chamados de embaixadores. Uma manifestação popular que quase não se vê mais falar aqui no Paraná.

Era um tempo de ingenuidade, sim, mas de respeito às tradições. Hoje, esse e outros costumes estão sendo jogados no lixo do esquecimento e, simplesmente, suprimido do conhecimento de nossos jovens, bombardeados por culturas que nada têm a ver com nosso povo. Uma delas é o tal do Dia das Bruxas, o Halloween, uma comemoração que não nos diz respeito.

Os dias coloridos do passado foram marcados por figuras ilustres da comunidade chateaubriandense, que, enquanto puderam, não deixaram morrer a tradição dos Santos Reis. “Seu” João Batista e a esposa e benzedeira Quintina, Tião Terra Nova e alguns grupos do Jardim Progresso e outros bairros colocavam os foliões na estrada em caminhada ao presépio.

Um mês de andanças que culminava numa grande festa de comilança, de graça para o povo. Os irmãos Duda e Zezinho não podem ser esquecidos como baluartes dos Reis Magos andantes, pois, em muito contribuíram para que o folclore continuasse vivo até hoje. O grupo de reis do Encantado do Oeste também sempre fez muito bonito.

Não sei se esses grupos citados continuam a Folia, mas seria bom que pudessem manter a tradição. Viva os santos reis!

Em Mato Grosso, durante seis anos pude reviver esse tempo, porque lá a tradição continua viva e cada vez mais forte, com muita festa, comida farta e fé em alta. Pode juntar menos gente neste ano por causa da pandemia, mas está longe de acabar a tradição.

Para quem gosta, como eu, “arrepia” o som do hino principal de Reis: Vinte cinco dezembro, quando o galo deu sinal, é que nasceu o Menino Deus, numa noite de Natal!