Você sabe o que é podcast?

A TV Globo lançou nesta segunda-feira (26) um novo serviço de informação noticiosa no formato chamado “podcast”, que, traduzindo do inglês para o bom Português, significa nada com coisa nenhuma. É que muitas palavras dos americanos e ingleses não podem ser traduzidas literalmente para não perderem o sentido. Porém, para quem quer ir a fundo, compensa ler o próximo parágrafo, caso contrário, pode mudar para o seguinte, sem prejuízo de entender o texto todo.

A palavra “podcasting” é uma junção de iPod – marca do aparelho multimídia homônimo, da Apple Inc., que é a sigla de “Personal On Demand” (numa tradução literal, algo pessoal e sob demanda), e broadcasting (radiodifusão). O conjunto de arquivos publicados por podcasting é chamada de podcast.

Então, e prosseguindo. A Globo explica em seu site que “um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça”.

Ora, até parece que eles inventaram os programas de rádio com conteúdos jornalísticos, formatados como documentários longos, curtos ou de médios tamanhos. Coisa que já se fazia no rádio há mais de 80 anos. A única diferença é que não havia aparelhos para reproduzir ao gosto do freguês naquela época. Mas, nos anos 80, apareceram os gravadores portáteis que permitiam que as pessoas gravassem seus programas preferidos e ouvissem depois.

Assim sendo, não há nenhuma novidade no podcast, mesmo porque, esse serviço, com esse nome, já existe na internet há pelo menos 15 anos, da mesma forma que hoje. Então, a Globo reinventou a roda, que maravilha!

Mas, o investimento nesse novo serviço é muito bem vindo. Quem sabe, os jovens o adotam para ouvir mais programas culturais, cursos e ouvir a leitura dos grandes clássicos da literatura impressa. Alguém duvida? Tudo é possível e milagres existem.

Talvez, a novidade que não tem nada de novo possa servir também para ressuscitar o bom jornalismo do rádio, que hoje se resume à notícias policiais, daquelas que fazem sair sangue dos pequenos fones de ouvido, levando ao delírio os que gostam de ouvir desgraças, desde que sejam só na casa do vizinho.

Quem sabe, o rádio volte a informar a hora certa, conversar com a dona de casa e tratar o ouvinte como alguém que interaja com a programação e não apenas como um objeto alvo dos quilos de propagandas tratadas nos mesmos moldes da televisão, como se tivessem imagens.

Claro que há exceções, por isso, o nosso respeito para com aqueles que continuam fazendo rádio no rádio, berço, jardim de infância, segundo grau e superior do podcast.